É isso... dura pouco. O dia começou otimamente péssimo! Eu, louco prá apresentar um trabalho/performance na faculdade, acabo sendo pego pela cilada do carro velho: meu pai disse que se eu não colocasse óleo no carro não chegaria na UERJ (ele foi mais trágico dizendo que eu ia ficar parado na ponte... pelo menos rolariam umas fotos maneiríssimas). Resumindo: oito horas da manhã e eu engarrafadíssimo na Alameda. Nem fui à aula, liguei contando o ocorrido e vou apresentar o trabalho só na quarta. A tensão está no ar, principalmente porque eu não queria me "apegar" aos peixinhos, objetos iniciais do meu trabalho... O pior foi voltar prá casa e dizer "olha, não fui... não ia dar tempo mesmo..." e depois ouvir o sermão dos meus pais. Persone ne merite pas!!!
Voltando ao ditado de que dura pouco (mesmo), dessa vez não estipulei prazo para receber novamente a tal ligação que me deixou feliz da vida anteontem. Tem gente que acha que um torpedinho à tarde para desculpar uma ligação não atendida é o bastante para deixar em paz um coração inquieto! Mandei outros quatro torpedos para explicitar: "Quero te ver!!!" Nenhuma resposta foi dada... ...ainda. Porém, o final de semana se aproxima e com ele as noitadas e as pessoas que podem surgir nas nossas vidas a qualquer momento, com qualquer música tocando e com qualquer nível etílico no sangue. O foda é ter que esperar as ligações que, conforme posts anteriores, nunca chegam. Como diz um experiente amigo meu "... é igual a biscoito...". Vai perder a vaga, a fila tem que andar.
E mesmo tendo desabafado aqui nesse apartamento (que tá apertado) eu sou obrigado a confessar que uma frase não sai da minha cabeça: TOCA, PORRA!!! TOCA!!!!
São 22:00h. A loja de conveniências do posto de gasolina está lotada. São eles, os notívagos que se armam para encarar aquela que pode ser sua vitória ou seu fracasso: a noite. Cerveja, ices, chicletes, cigarros, balas, vodkas, salgadinhos... e um pique excepcional para cantadas, para girar pelas ruas da zona sul ou mesmo da Lapa atrás de bocas para beijar. Tudo pode acontecer.
Agora são 3:00h e todas essas criaturas estão acompanhadas, umas acompanhando outras criaturas, outras acompanhadas das mais diversas coisas. Mais cerveja, mais caipirinhas... a mente já não sabe mais o que é razão. São gringos com mulatas prostitutas, são brasileiros vendendo mais do que latinhas, são homens voltando a sua condição de bicho e loirinhas estudantes apertando um baseado na frente de todo mundo. Muitos desses notívagos encontram a solidão no meio de tanta gente. Olham para o horizonte como se ele fosse um sonho distante ou como se fosse desaparecer ao piscar os olhos. Já se perderam na noite escura. Todos andam, todos dançam, ninguém mais sonha.
As bocas que encontram outras bocas agora estão nos cantos, escorando paredes, embaçando vidros de carros. As mais ousadas e ainda sóbrias procuram lugares mais reservados, mesmo que sejam fora das boates ou bares. Motéis são as melhores pedidas nessa hora. E as bocas nunca mais serão beijadas, ou pelo menos se falarão até que os corpos sejam finalmente descobertos. Esses mesmos corpos não se toracão mais, assim como os olhares que já não terão a mesma intensidade. As mãos nunca mais estarão entrelaçadas e as palavras não serão mais doces depois do climax. Tudo acaba na fumaça do cigarro. São números de telefone trocados em vão.
São 6:00h. Nada mais se consome além de podrões na barraquinha imunda ou na padaria da esquina. O pique se esvairiu entre corpos, copos, cigarros, comprimidos, música e azaração. Agora sim estará justificado o sono que só termina depois das 14:00h. No final todos encontram a mesma solidão daqueles que olhavam o vazio em plena rua lotada. Ao chegar em casa o sono sempre vem fazer companhia. Lar doce lar. Pena que o telefone não toca.
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