Desânimo

A semana tinha tudo prá ser ótima, afinal, voltar de uma viagem onde tudo - digo T-U-D-O - aconteceu é de fato uma coisa excelente. 

Prá se ter uma idéia, os cinco mais-novos-amigos-de-infância aprontaram o que podiam e o que não podiam, dando assunto para as "tias", "primos" e "povoado" fofocarem durante meses.  Ainda bem que meu pai não liga prá isso.  E nem eu.  Não é a toa que ganhamos o apelido de "Quinteto Perverso".  Dançar na praça de um jeito delirante e sensual, beber "direitinho", encorajar pessoas sóbrias e nem tanto sãs a subir no palco para tentar cantar ou dançar ou mesmo dizer o próprio nome... E depois os cinco dormindo no mesmo cômodo (ou melhor, apagando) juntos...  Sensacional!  É lógico que tudo tem um preço:  ficar três noites acordado, sem uma alimentação decente, bebendo só o que não presta, em pleno sereno... minha garganta explodiu (é claro!!!).   Ainda vale lembrar que dormi no ônibus vindo de lá prá cá de domingo prá segunda, o que significa que estou no saldo negativo em relação ao sono.  Mas tudo bem... valeu a pena.  Sempre vale.

O decepcionante mesmo foi descobrir, ao chegar aqui, que todos tinham razão quanto a carreira que escolhi prá minha vida.  Olhei uns editais de concurso para magistério em nível superior - faculdades do Governo Federal - e cheguei a seguinte conclusão:  um técnico administrativo no serviço público (também federal) na área jurídica ganha quase três vezes mais do que um professor universitário com mestrado ou doutorado!!! Pois é, pasmem!!! Um concurso para professor adjunto exige, além da graduação, um mestrado (no mínimo) para receber uma bagatela de R$ 1.800,00!  E isso em regime de dedicação exclusiva, senão, ganha menos!!!

Pronto, agora é só juntar uma dor de garganta, um trabalho estressante de oito horas por dia, um coração sem definições amorosas, um final de semana sem muitas promessas, férias na faculdade sem poder viajar e as aulas prá recomeçar, e uma decepção dessa sem precedentes na carreira escolhida.  O que eu faço agora!!!

Quando passar eu conto (rs).  Inté.

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